
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 8% a 26% das crianças nascidas, a termo, em diferentes regiões do mundo apresentam peso ao nascer abaixo de 2500g (pequenas para a idade gestacional – PIG). Estas crianças apresentam maior morbi e mortalidade perinatal e maior risco de baixa estatura desde a infância até a vida adulta. Estudos demonstram maior risco de doenças cardiovasculares e doenças metabólicas com diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica em adultos que nasceram PIG.
CRESCIMENTO PÓS-NATAL
Considera-se que uma criança está em fase de recuperação do crescimento quando a velocidade de crescimento (cm/ano) está acima da média para a idade e sexo. A avaliação do crescimento pela altura esperada para a idade não leva em consideração o potencial genético da criança. A maioria das crianças nascidas PIG apresentam recuperação do crescimento e normalização da altura nos dois primeiro anos de vida, e esta recuperação tende a ser precoce, em torno das 12 semanas de vida. Uma pequena porcentagem de crianças apresenta recuperação do crescimento um pouco mais lenta, com normalização da altura ao redor de 4 anos de idade. Entretanto, 10-15% das crianças nascidas PIG não normalizam o crescimento nos primeiros anos de vida e chega a idade adulta abaixo do esperado. Em meninos a estatura adulta fica, em média, 7,5cm abaixo do alvo familiar e nas meninas, 9,6cm.Nestas crianças que não recuperam o crescimento, está bem estabelecido o tratamento com hormônio de crescimento para recuperação estatural.
Em relação ao crescimento na puberdade, as crianças nascidas PIG parecem inciar a puberdade com idade cronológica dentro dos limites da normalidade para as crianças sem baixa estatura, porém um pouco mais precoce do que as crianças com baixa estatura idiopática. A intensidade do estirão de crescimento durante a puberdade é menor destas crianças levando em consideração a idade relativamente precoce que ocorre.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
A relação do peso ao nascer e doenças cardiovasculares foi levantada pela primeira vez em um estudo populacional, retrospectivo, realizado no Reino Unido. Houve um aumento da taxa de mortalidade por doença cardiovascular associado com a diminuição do peso ao nascimento.
Alguns estudos sugerem que o baixo peso ao nascer e a recuperação lenta durante a primeira infância podem refletir um padrão de crescimento fetal alterado com mudanças em certos tecidos, incluindo vasos sanguíneos e pâncreas endócrino.
RESISTÊNCIA À INSULINA E DIABETES MELLITUS
A relação entre resistência à insulina e crescimento fetal tem sido sugerida pela associação entre baixo peso ao nascimento e desenvolvimento de síndrome metabólica, coexistência de intolerância a glicose ou diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e hipertrigliceremia com HDL baixo. Um risco 10 vezes maior de síndrome metabólica foi observado nos pacientes com peso ao nascimento menor ou igual a 2500g.]
DISTÚRBIOS NO METABOLISMO DO COLESTEROL E NA COAGULAÇÃO
A restrição de suprimentos para o feto pode levar a uma resposta adaptativa de diferentes órgãos com benefício de alguns em detrimento de outros. O crescimento hepático pode ser afetado com prejuízo das funções de regulação da síntese de colesterol e também coagulação.
DISTÚRBIOS DA ATIVIDADE ADRENAL E GONADAL
Algumas meninas nascidas PIG apresentam maior risco de apresentar pubarca precoce consequente a adrenarca precoce, particularmente aquelas que apresentam recuperação espontânea do crescimento.
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