
Criptorquidia é a anomalia congênita mais comum da genitália masculina. A estatística varia conforme a idade: prematuros 21%, recém-nascidos a termo 2,7% a 3,2% e lactente com 1 ano de vida 0,8 – 1%. O testículo criptorquídico está associado a graus variáveis de infertilidade e de desenvolvimento de tumores, principalmente os intra-abdominais.
Nem sempre a ausência do testículo em bolsa escrotal significa criptorquia. Pode se tratar de testículo retrátel, que frequentemente é encontrado no exame físico da criança. O testículo retrátel migra da bolsa escrotal para a virilha e vice-versa; são uma variante da normalidade, tendo as mesmas chances de infertilidade ou malignização do que na população geral. Em alguns casos a retração pode ser mais intensa, sendo difícil diferenciar de um testículo realmente criptorquídico. O que é importante para a decidir o melhor tratamento.
Para facilitar o entendimento, dividi-se dois grupos: testículos palpáveis e impalváveis.
Os testículos palpáveis são divididos em grupos: criptorquídicos ( retidos em qualquer lugar do trajeto normal de descenso testicular), ectópicos ( fora do trajeto) e retráteis. Os testículos impalpáveis subdividem-se em intrabdominais, hipotróficos ou agenéticos.
Depende-se da classificação para a abordagem terapêutica. Independente do tipo de tratamento, é de consenso que, ao final do segundo ano de vida, o testículo afetado dever ser colocado na bolsa escrotal, pois existem evidências histológicas de sofrimento. Quanto mais tempo demora, menor é o índice de recuperação das células germinativas, ou seja, infertilidade. Ou seja, o tratamento tem por função a preservação da função testicular, tanto na produção de hormônios e de espermatozoides, como evitar a malignização do mesmo.
O tratamento da criptorquidia com hormônios pode ser realizado através da administração de gonadotrofina coriônica (HCG) ou de hormônio liberador de gonadotrofinas (LH-RH). Mas tem contra-indicações: ectopias testiculares, testículos retráteis e quando houver hérnia inguinal associada. O tratamento hormonal não encontra unanimidade entre os diferentes autores. Em literatura médica, encontra-se estatísticas que variam de 0 a 72% de sucesso.
A grande indicação do tratamento cirúrgico são os testículos impalpáveis, que sofre grandes avanços nestes últimos anos devidos as técnicas de laparoscopia. Quando os testículos são impalpáveis, o tratamento cirúrgico deve ser realizado até o primeiro ano de vida.
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