A obesidade é uma doença crônica, de etiologia multifatorial e resulta de balanço energético positivo, ou seja, mais acúmulo e gordura e menor perda de energia. Seu desenvolvimento ocorre, na grande maioria dos casos, pela associação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais; sendo que cada um destes fatores têm, em cada criança, maior ou menor importância. Estudos realizados em gêmeos, adotados e seus pais, mostram claramente a influência genética no índice de massa corporal, na distribuição da gordura pelo corpo, no gasto energético e na suscetibilidade ao ganho de peso.
Um ponto importante sobre a obesidade na infância refere-se à precocidade com que podem surgir efeitos danosos à saúde, além das relações existentes entre obesidade infantil e sua persistência até a vida adulta.
Entre os fatores que são determinantes para o estabelecimento da obesidade exógena na infância: interrupção precoce do aleitamento materno com introdução de alimentos complementares inapropriados, emprego de fórmulas lácteas diluídas de modo incorreto, distúrbios do comportamento alimentar e inadequada relação ou dinâmica familiar.
São três as causas hormonais de obesidade na infância: hipotireoidismo, deficiência de hormônio de crescimento e hipercortisolinismo. Além do ganho de peso, a diminuição do ritmo de crescimento acompanha o quadro de obesidade neste período da vida.
COMO SABER SE A CRIANÇA ESTÁ OBESA
O diagnóstico de obesidade é clínico, tem como base a história, exame físico e medidas de peso e estatura. Os exames complementares são utilizados para a avaliação de possíveis causas secundárias e para diagnóstico das repercussões metabólicas mais comuns da obesidade, entre elas: dislipidemia, alterações do metabolismo glicídico, hipertensão arterial, doença hepática gordurosa, síndrome da apneia e síndrome dos ovários policísticos.
O peso e a altura são utilizados para a classificação da condição nutricional por meio da cálculo do índice de massa corporal.
Enquanto o adulto tem valores fixos de índice de massa corporal, a criança e o adolescente variam conforme a idade e sexo, pois são organismos que estão em fase de desenvolvimento. Sendo necessários gráficos avaliação. O Ministério da Saúde utiliza o gráfico de índice de massa corporal publicado pela OMS.
Calculando o valor do IMC, este deve ser plotado no gráfico, levando a classificação do estado nutricional da criança.

Abaixo estão os valores utilizados para avaliação:

E também os gráficos utilizados:

Gráfico IMC para a idade em meninos

Gráfico IMC para meninas
O PROBLEMA É SOMENTE O PESO OU TEM MAIS?
A criança e o adolescente acima do peso podem apresentar uma série de consequências, que estão listadas abaixo.
| DERMATOLÓGICOS | acantose nigricans
infecção fúngica estrias celulite acne hirsutismo furunculose |
| ORTOPÉDICOS | joelho valgo
epifisiólise de cabeça do fêmur osteocondrites artrites degenerativas pé plano |
| CARDIOVASCULARES | hipertensão arterial sistêmica |
| RESPIRATÓRIOS | síndrome da apneia obstrutiva do sono
asma |
| HEPÁTICOS | colelitíase
doença gordurosa não alcoólica |
| GASTROINTESTINAIS | refluxo gastroesofágico
constipação intestinal |
| GENITURINÁRIOS | síndrome dos ovários policísticos
pubarca precoce incontinência urinária |
| SISTEMA NERVOSO | pseudotumor cerebral
problemas psicossociais |
E O TRATAMENTO?
O plano terapêutico deve ser traçado de forma individualizada e de modo gradativo, em conjunto com o paciente e a família, evitando-se a imposição de dietas rígidas e extremamente restritivas. O tratamento nutricional deve contemplar uma alimentação balanceada com distribuição adequada de macro e micronutrientes e orientação alimentar que permita escolha de alimentos de ingestão habitual ou de mais fácil aceitação.
A educação nutricional é de extrema importância e visa habilitar o indivíduo a organizar e controlar sua alimentação mantendo a rotina diária. Esse processo estimula mudanças no hábito e no comportamento alimentares de maneira lenta e gradual. Deve-se enfatizar que o paciente e sua família têm grande responsabilidade nesse processo e que, para que tenha eficácia, é necessário contar com determinação, paciência, disciplina e alterações de comportamento e de conceitos relacionados a alimentação.
Os resultados esperados são: redução gradativa do peso (adolescentes), manutenção do peso (pré-púberes) e redução das morbidades. As mudanças de hábitos e de comportamentos alimentares ocorrem em médio ou longo prazo. Quanto ao atendimento individual são associados os grupos de educação nutricional, os resultados podem ser observados mais precocemente.
