SÍNDROME METABÓLICA NA CRIANÇA E ADOLESCENTES

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A síndrome metabólica (SM) é definida como um conjunto de alterações antropométricas, fisiológicas e bioquímicas que aumentam o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular e diabetes melito tipo 2.

Ainda não existe uma padronização para a definição de SM, existem estudos que demonstram que se inicia na infância, sendo muito prevalente entre crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade.

O diagnóstico de SM no adulto é realizado nas situações que há obesidade central  e dois dos quatro critérios: circunferência abdominal (CA) maior que 90cm nos homens e maior que 80cm na mulher; triglicérides maior que 150mg/dl, colesterol HDL menor que 40mg/dl no homem e menor que 50mg/dl na mulher; pressão arterial maior que 130x80mmHg; glicemia de jejum maior que 100mg/dl.

Já na infância e na adolescência a definição de SM é mais complicada, pois os valores normais de pressão arterial,m perfil lipídico e o valores antropométricos variam conforme a idade e estadiamento puberal.

A Federação Internacional de Diabetes definiu critérios de SM para crianças e adolescentes, dividindo por faixa etária: 6 a 10 anos, 10 a 16 anos e maiores de 16 anos.

Nas crianças menores de 10 anos, o diagnóstico de SM não dever ser feito, mas os familiares devem ser orientados sobre a necessidade de controle de peso.

Em maiores de 10 anos, como critérios temos a obesidade abdominal e a presença de dois ou mais critérios: triglicérides maior que 150mg/dl, colesterol HDL menor que 40mg/dl, glicemia de jejum maior que 100mg/dl e hipertensão arterial.

Para adolescente maiores que 16 anos, são utilizados os critérios de adultos.

A circunferência abdominal (CA ) é considerada uma condição independente preditora de risco cardiovascular em adultos e crianças. Enquanto o adulto apresenta valores fixos de CA, na criança e adolescente, varia conforme a idade e estadiamento puberal. Podendo ser também utilizada a relação entre CA e a altura. Sendo considerado indicativo de obesidade visceral valores acima de 0,50.

Não só a obesidade central, como também a resistência a insulina é importante na fisiopatologia da SM. Outros fatores importantes: predisposição genética, inatividade física, alimentação inadequada, estado pró-metabólico e alterações hormonais. Crianças e adolescentes que foram classificados como PIG (pequeno para a idade gestacional) têm maiores chances de desenvolver SM.

A resistência a insulina é um termo utilizado para descrever a capacidade diminuída das células responderem a ação da insulina. A glicose passa a apresentar dificuldade para entrar nessas células, acumulando-se no sangue. Utiliza-se o cálculo do HOMA-IR para caracterizar a resistência periférica a insulina: multiplica-se os valores de glicose (mg/dl) e insulina (mUI/ml) e se divide por 405. O valore de corte adotado por Garcia Cuartero et al. é 3,43. Então os valores considerados normais é abaixo de 3,43.

Assim, diante de uma criança ou adolescente obesos que começam a apresentar alterações metabólicas, há a necessidade de intervenção para evitar as complicações futuras: diabetes mellitus tipo 2, esteatose hepática e doenças cardiovasculares.

O tratamento é baseado em mudanças de hábito de vida.

 

fontes: Arq Bras Endocrinol Metab. 2011:5/8; J Pediatr (Rio J). 2014;90(6):600-607